QUEM É ARIEL HOLAN E COMO IMPACTOU O COMEÇO DE TEMPORADA DO SANTOS?

Conheça abaixo a trajetória de Ariel até sua chegada ao Santos, e o que levou o treinador argentino a pedir demissão do cargo de treinador do Peixe com apenas dois meses no clube:

Escrito por: Arthur Pomares e Rafael Falino

Ariel Enrique Holan é nome do personagem de hoje. Nasceu em Lomas de Zamora, na Argentina, no ano de 1960.

Apesar de, desde pequeno, ser completamente apaixonado por futebol, Ariel começou sua carreira no Hóquei de Grama pelo Lomas Athletic Club. Por conta da morte de seu pai, Holan encerrou sua carreira ainda muito jovem.

No ano de 1976 assumiu, com apenas 16 anos, o comando da equipe feminina B do Lomas.

Depois de trabalhar por quase 30 anos no Hóquei de Grama, ganhando inclusive uma medalha de bronze com a equipe feminina do Uruguai no Pan de 2003, resolveu trabalhar com sua paixão de infância, o futebol.

Depois do Pan, começou a frequentar clínicas de futebol nos Estados Unidos e, em seguida, tornou-se assistente técnico do treinador Jorge Burruchaga no Arsenal de Sarandi.

Seguiu Burruchaga também no Estudiantes, Independiente e Banfield, até assumir as categorias de base do Argentinos Juniors no início de 2011.

Em Julho de 2011, Ariel foi nomeado assistente do técnico Matías Almeyda, no River Plate, com a missão de subir o gigante argentino para a primeira divisão novamente. Conseguiram. Depois foi, com Almeyda, para o Banfield. 

Passou pelo até então desconhecido Defensa y Justícia em 2015/2016, até chegar ao Independiente, time do coração de Holan, agora como técnico. 

Em dezembro de 2017 — muitos aqui talvez lembrem — o Independiente foi campeão da Copa Sul-Americana no Maracanã, enfrentando o Flamengo na final. Ariel era o técnico daquela equipe que tinha Barco, Gigliotti e Tagliafico no elenco.

O treinador ficou no time do coração até 2019, depois de fazer um acordo com a diretoria para deixar o clube.

Assinou, no fim de 2019, com o Universidad Católica, do Chile, onde ficou por um ano até assinar com o Santos. No Chile, Ariel venceu o Campeonato Chileno, sendo eleito o melhor treinador do Chile em 2020.

Em fevereiro de 2021 o treinador argentino assinou com o Peixão, entrando na vaga de Cuca depois do final do Campeonato Brasileiro. 

Holan chegou ao Santos com ideias inovadoras. Em sua coletiva de apresentação falou sobre como gosta de usar a tecnologia em seus treinamentos. 

Por vir do Hóquei de Grama, que é um esporte de muita estratégia, é um treinador muito tático, que preza muito pelo jogo pensado, com toque de bola. 

Chegou ao Santos com muita expectativa por parte da torcida, já que tinha as mesmas ideias de jogo do DNA Santista, que é sempre jogar para a frente, buscando o gol. Chegou sabendo das dificuldades financeiras do clube, mas aceitou o desafio

Em sua estreia, perdeu para o São Paulo por 4×0, mas era impossível cobrar algo. 

Depois, teve que rapidamente se preparar para a primeira fase da pré-libertadores contra o Deportivo Lara. Vencemos o primeiro jogo por 2×1, na Vila, e empatamos em 1×1, lá na Venezuela. Passamos.

No meio desses dois jogos, o Peixe venceu o Ituano por 2×1, na Vila, pela última rodada antes da paralisação do Campeonato Paulista motivada pelo agravamento da crise do Coronavírus no país. 

Por conta da paralisação, o Santos ficou treinando por duas semanas em Atibaia, antes da última fase da classificação para a fase de grupos da Libertadores, contra o San Lorenzo, da Argentina. 

O Santos foi jogar na Argentina e venceu por 3×1. A atuação tinha a cara de Holan, pois o técnico teve tempo para treinar o time.

Na volta, empatamos com os argentinos em 2×2, e avançamos para a fase de grupos da Libertadores.

O Santos ainda estava em período de adaptação com o novo técnico, oscilando um pouco, mas conseguindo bons resultados. Até pelo fato de ter conseguido passar por um adversário dificílimo como o San Lorenzo.

Porém, foi em um jogo que as coisas começaram a ficar meio complicadas para Holan, e para o Santos. Fomos jogar contra a Ponte Preta, em Campinas…

E aí o rumo do Santos e do Holan mudou totalmente. Com testes estranhos nas laterais, Copete e Balieiro, e com uma proposta de jogo muito diferente da apresentada contra o San Lorenzo, na ida, o Alvinegro Praiano perdeu por 3×0.

Em 3 jogos, apenas um ponto conquistado e cinco gols tomados, a torcida começou a questionar o trabalho de Ariel e dos meninos da base; será que era a hora certa de fazer experiências?

Com a vitória sobre a Inter de Limeira o torcedor ficou mais tranquilo, mas há quem diga que não foi um bom jogo…

O time não tinha produtividade, só tocava para trás e o meio estava totalmente perdido. Não se sabia o que estava acontecendo, mas parecia não ser nada bom.

É bom lembrar que o técnico já tinha deixado claro que o Campeonato Paulista serviria para testar jogadores da base, principalmente, e mostrar quais seriam os atletas que estariam dentro do projeto. Porém, com atuações ruins e a insistência em jogadores de baixo nível, a torcida começou a ficar cada vez mais insatisfeita.

A estreia na Libertadores contra o Barcelona de Guayaquil era a oportunidade perfeita para deixar a má fase de lado e mostrar que a Libertadores era a competição que o Santos iria deslanchar com seus titulares.

Não foi o que aconteceu. Um desempenho muito abaixo da média por parte dos jogadores, pouca produtividade, a demora para fazer substituições, e com Pará no meio, o Peixe voltou a ser assombrado pelo time do Equador em plena Vila Belmiro.

Com isso, “torcedores” foram protestar e picharam o muro do estádio com frases do tipo: “Tetra é obrigação” e “Time pipoqueiro”.

Na sexta-feira, dia 23/04, o Alvinegro Praiano iria enfrentar o Novorizontino, fora, e o clássico contra o Corinthians, no domingo, na Vila.

Resultado? 1×0 e 0x2, com os mesmos problemas: pouca produtividade dos jogadores, “falta de vontade”, demora em substituições e a insistência em jogadores em péssima fase.

Após o jogo de domingo, mais uma vez, “torcedores” foram cobrar o time na porta do estádio. Dessa vez, com um tom mais tenso e sombrio, “Sai logo vagabundo, respeita o Santos, maior time do mundo”, “Tetra é obrigação”, entre outros.

O auge da crise e pressão sobre o técnico (não sobre os jogadores) ocorreu na segunda-feira, dia 26 de abril: o “mister” argentino, Ariel Holan, pediu demissão após “TORCEDORES” soltarem rojões em direção a sua residência…

Um dia antes do confronto contra o Boca Juniors, em La Bombonera, o Santos passava por essa situação. O time acabou perdendo o jogo por 2×0 contra os argentinos.

A passagem de Ariel Holan terminou com 12 jogos, 3 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. E, de certa forma, de maneira favorável ao Santos, pois o argentino, sabendo das dificuldades financeiras, e de forma elegante, pediu demissão para o clube não arcar com mais uma rescisão contratual.

Houve um movimento nas redes para que o técnico voltasse atrás em sua decisão, como aconteceu quando era treinador do Independiente.  Na oportunidade, o argentino saiu do clube e voltou depois de 3 dias. Porém, segundo a mídia, não existe chance de isso acontecer, e o Santos está atrás de outros técnicos, de preferência brasileiros e com estilo ofensivo.

Alvos:

Fernando Diniz, técnico jovem com passagem por Atlhetico Paranaense, Fluminense e São Paulo.

Não tem títulos na carreira, porém seu estilo de jogo é diferente da maioria dos treinadores brasileiros. Seus times se destacam pela posse de bola, boa saída de jogo e valorização da base.

Fernando Diniz (treinador de futebol) – Wikipédia, a enciclopédia livre

Fernando Diniz na época em que comanda o time do São Paulo. Foto: Divulgação/ Wikipedia

Dorival Junior, grande técnico que tem uma linda história com o Santos.

Seu último trabalho foi no Atlhetico Paranaense, onde não foi muito bem. Um técnico que tem proposta mais defensiva, privilegiando o contra-ataque. Gosta de utilizar a base e é um personagem que pode “segurar a barra” neste momento turbulento.

São Paulo anuncia Dorival Júnior como substituto de Rogério Ceni - Gazeta  Esportiva

Dorival Junior no comando do Santos no ano de 2015. Foto: Divulgação/ Gazeta Esportiva

O que podemos concluir de tudo isso? 

Ariel Holan talvez fosse o técnico certo, mas na hora errada: o momento em que o torcedor vem de um vice da Libertadores e espera grandes resultados sem pensar na estrutura e nas condições do clube.

Infelizmente tudo deu errado e esperamos por dias melhores para o Santos e para o futebol brasileiro, principalmente quanto à forma de tratar os treinadores.

Gostou do texto? No canal no Youtube “História Santista” tem vídeos sobre esse assunto e muitos outros. Desde de curiosidades e “resenhas”, até fatos históricos sobre o Peixão. Link: História Santista

Compartilhe:
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Portal Santos News© 2022. Todos os Direitos Reservados.